I. Os Príncipes dos Exércitos do Senhor

Os nove coros angélicos


Existem diferenças entre os anjos, mas não consta na Revelação qual sua origem nem seu modo preciso. É questão de livre discussão se os anjos são todos da mesma espécie, ou se existem tantas espécies quantos são os coros, ou se cada indivíduo constitui uma espécie por si (opinião de São Tomás).


De acordo com uma tradição que remonta ao Pseudo-Dionísio Areopagita, os teólogos costumam agrupá-los em nove ordens ou coros angèlicos, distribuídos em três hierarquias ( os nomes são tomados da Sagrada Escritura):

Primeira hierarquia - Serafins, Querubins, Tronos;

Segunda hierarquia - Dominações, Potestades, Virtudes;

Terceira hierarquia - Principados, Arcanjos e Anjos.

Os anjos dos três primeiros coros ou primeira hierarquia - Serafins, Querubins e Tronos contemplam e glorificam continuamente a Deus: ” Vi o Senhor sentado sobre um alto e elevado trono… Os Serafins estavam por cima do trono … E clamavam um para o outro e diziam: Santo, Santo, Santo, é o Senhor Deus dos exércitos” (Is 6, 1-3 ). ” O Senhor reina … está sentado sobre querubins” (Sl 98,1); os três coros seguintes - Dominações, Virtudes  e Potestades - ocupam-se do governo do mundo; finalmente, os três últimos - Principados, Arcanjos e Anjos - executam as órdens de Deus:  “Bendizei ao Senhor, vós todos os seus anjos, fortes e poderosos, que executais as suas ordens e obedeceis as suas palavras” (Sl 102, 20).

Todos eles podem entretanto ser chamados genericamente anjos, estando à disposição de Deus para executar suas vontades.  Embora o Evangelho, na Anunciação a Maria, se refira ao anjo Gabriel ( Lc 1,26), isto não quer dizer que ele pertença à última das hierarquias angélicas, pois a sublimidade dessa embaixada leva a supor que se trate de um dos primeiros espíritos que assistem diante de Deus.

Os três arcanjos - como são conhecidos comumente São Miguel, São Gabriel e São Rafael - pertencem, provavelmente, à mais alta hierarquia angélica.  Falaremos deles mais adiante.

Embora não conheçamos, o número exato dos anjos, sabemos, pelas Escrituras e pela Tradição, que são muitíssimos,.  É o que lemos no livro do Apocalipse: “E ouvi a voz de muitos anjos em volta do trono … e era o número deles milhares e milhares”

(Apoc 5, 11). E no livro de Daniel: “Eram milhares de milhares de milhares (os anjos) que o serviam, e mil milhões os que assistiam diante dele” (Dan 7, 10).


Muitos teólogos deduzem que o número dos anjos é superior ao dos homens que existiram desde o princípio do mundo e existirão até o fim dos tempos. A razão disso é dada por São Tomás ao dizer que, tendo Deus procurado principalmente a perfeição do universo ao criar os seres, quanto mais estes forem perfeitos, Deus os terá criado com maior prodigalidade. Ora, os anjos são mais perfeitos que os homens, logo foram criados em maior número.

[Fonte: SOLIMEO, Gustavo A., Luiz S. Anjos e demônios - a luta contra o poder das trevas. São Paulo: Artpress, 1995.]

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