II. O mundo invisível

341 A beleza do Universo: A ordem e a harmonia do mundo criado resultam da diversidade dos seres e das relações existentes entre si. O homem descobre-as progressivamente como leis da natureza. Elas suscitam a admiração dos sábios. A beleza da criação reflecte a beleza infinita do Criador, a qual deve inspirar o respeito e a submissão da inteligência e da vontade humanas.

342 A hierarquia das criaturas é expressa pela ordem dos “seis dias”, indo do menos perfeito para o mais perfeito. Deus ama todas as suas criaturas [Cf. Sl 145, 9] e cuida de cada uma, até dos passarinhos. No entanto, Jesus diz: “[Vós] valeis mais do que muitos passarinhos” (Lc 12, 7), e ainda: “Um homem vale muito mais que uma ovelha” (Mt 12, 12).

343 O homem é o ponto culminante da obra da criação. A narrativa inspirada exprime essa realidade, fazendo nítida distinção entre a criação do homem e a das outras criaturas [Cf. Gn 1, 26].

344 Existe uma solidariedade entre todas as criaturas pelo facto de todas terem o mesmo Criador e todas serem ordenadas para a sua glória:

345 O «Sábado» – fim da obra dos “seis dias”. O texto sagrado diz que “Deus concluiu, no sétimo dia, a obra que fizera” e que assim “se completaram o céu e a terra”; e no sétimo dia Deus “descansou” e santificou e abençoou este dia (Gn 2, 1-3). Estas palavras inspiradas são ricas de salutares ensinamentos:

346 Na criação, Deus estabeleceu uma base e leis que permanecem estáveis [Cf. Heb 4, 3-4] sobre as quais o crente pode apoiar-se com confiança, e que serão para ele sinal e garantia da fidelidade inquebrantável da Aliança divina [Cf. Jr 31. 35-37; 33, 19-26]. Por seu lado, o homem deve manter-se fiel a esta base e respeitar as leis que o Criador nela inscreveu.

347 A criação foi feita em vista do Sábado e, portanto, do culto e da adoração de Deus. O culto está inscrito na ordem da criação [Cf. Gn 1, 14] – “Operi Dei nihil preponatur – Nada se anteponha à obra de Deus (ao culto divino)” – diz a Regra de São Bento [São Bento, Regula. 43. 3: CSEL 75, 106 (PL 66, 675)] indicando assim a justa ordem das preocupações humanas.

348 O Sábado está no coração da Lei de Israel. Guardar os Mandamentos é corresponder à sabedoria e à vontade de Deus, expressas na sua obra da criação.

349 O oitavo dia. Mas para nós, um dia novo surgiu: o dia da Ressurreição de Cristo. O sétimo dia acaba a primeira criação. O oitavo dia começa a nova criação. A obra da criação culmina, assim, na obra maior da Redenção. A primeira criação encontrou o seu sentido e cume ria nova criação em Cristo, cujo esplendor ultrapassa o da primeira [Cf. Vigília Pascal, oração depois da primeira leitura: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 276].

[Fonte: Catecismo da Igreja Católica]

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