II. O mundo invisível


337 Foi o próprio Deus que criou o mundo visível, com toda a sua riqueza, a sua diversidade e a sua ordem. A Sagrada Escritura apresenta a obra do Criador, simbolicamente, como uma sequência de seis dias “de trabalho” divino, que terminam no “repouso” do sétimo dia [Cf. Gn 1, 1-2, 4]. O texto sagrado ensina, a respeito da criação, verdades reveladas por Deus para a nossa salvação [Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 11: AAS 58 (1966) 823], as quais permitem “conhecer a natureza última e o valor de todas as criaturas e a sua ordenação para a glória de Deus” [II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 36: AAS 57 (1965) 41].

338 Nada existe que não deva a sua existência a Deus Criador: O mundo começou quando foi tirado do nada pela Palavra de Deus: todos os seres existentes, toda a Natureza, toda a história humana radicam neste acontecimento primordial: é a própria génese, pela qual o mundo foi constituído e o tempo começado [Cf. Santo Agostinho, De genesi contra Manichaeos, 1, 2, 4: PL 36, 175].

339 Cada criatura possui a sua bondade e perfeição próprias. Acerca de cada uma das obras dos “seis dias” está escrito: “E Deus viu que era bom”. “Foi em virtude da própria criação que todas as coisas foram estabelecidas segundo a sua consistência, a sua verdade, a sua excelência própria, com o seu ordenamento e leis específicas” [II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 36: AAS 58 (1966) 1054]. As diferentes criaturas, queridas pelo seu próprio ser, refletem, cada qual a seu modo, uma centelha da sabedoria e da bondade infinitas de Deus. É por isso que o homem deve respeitar a bondade própria de cada criatura, para evitar o uso desordenado das coisas, que despreza o Criador e traz consigo consequências nefastas para os homens e para o seu meio ambiente.

340 A interdependência das criaturas é querida por Deus. O sol e a lua, o cedro e a florzinha, a águia e o pardal: o espectáculo das suas incontáveis diversidades e desigualdades significa que nenhuma criatura se basta a si mesma. Elas só existem na dependência umas das outras, para se completarem mutuamente, no serviço umas das outras.

[Fonte: Catecismo da Igreja Católica]

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